Visão Global

29/09/2014 07:17

O dólar continua a subir Na semana passada fiz a observação de que o índice DXY tinha subido durante 10 semanas consecutivas, a primeira vez desde 1971, ano em que as taxas de câmbios flutuaram. Agora já são 11 semanas. O índice DXY subiu 1,35% na semana passada, a terceira subida mais alta numa série de 11 semanas, o que demonstra não revelar quaisquer sinais de abrandamento. O USD subiu contra todas as divisas que acompanhamos, tanto do G10 como dos mercados abrangentes.

O pior desempenho de uma divisa, até agora, foi o NZD, para grande surpresa minha, que colapsou depois de o Governador Graeme Wheeler, do RBNZ ter feito, na quinta-feira, uma declaração não agendada em como o nível da divisa é injustificado e insustentável. Os comentários poderiam ser entendidos como um sinal de que o Banco irá provavelmente intervir para desvalorizar ainda mais o NZD, se necessário. As outras divisas de mercadorias, AUD e CAD, também estiveram fracas, mas não estiveram sequer perto do NZD. Na minha opinião, os dados fracos da China irão provavelmente manter estas divisas sob pressão. É previsto que o PIB chinês para o 3.º trimestre tenha caído abaixo da meta de 7,5% do governo, e como se espera que os dados no mercado imobiliário continuem fracos, o 4.º trimestre pode não ser muito melhor. Até agora, o governo tem implementado apenas pequenas medidas de apoio económico direccionadas, que poderão ajudar determinados sectores mas que não têm como finalidade estimular toda a economia. Com este plano de fundo, será difícil que as divisas de mercadorias subam. Algumas divisas dos mercados emergentes dependentes de mercadorias poderão também ter dificuldades.

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Curiosamente, a divisa de curta duração preferida de todos, o JPY, foi a mais forte das divisas do G10 na semana passada, apesar de um novo abrandamento na taxa de inflação do Japão, o que aumenta a probabilidade de uma nova ronda de medidas do Banco do Japão. Talvez isso reflicta o facto de que, desde o início de Setembro, o dólar está, de qualquer forma, em alta 4,9% em comparação com o JPY e com a maioria das divisas do G10, excepto com os comprometidos NZD e AUD. Nos mercados emergentes, algumas das divisas favoritas de conversões, como o BRL, MXN, ZAR e RUB estiveram em baixa cerca de 2% contra o USD ao longo da semana. Mas com o EUR em baixa 1,5%, é difícil dizer que isto representa algo mais do que a força geral do USD.

Não tenho qualquer motivo para pensar que a subida do dólar irá parar em breve. Poderá haver, na verdade, alguns altos e baixos, mas a principal força motriz – a divergência da política monetária – irá provavelmente manter-se durante os próximos seis meses a um ano, pelo menos. Além disso, o padrão histórico é que o dólar suba nos meses anteriores à subida das taxas de juro. Desta forma, espero que a força do USD continue a ser a tendência principal do mercado. A chave é então descobrir a divisa para ter uma posição curta contra este, e também negociações entre divisas atractivas para ser aplicada.

Indicadores de hoje: A previsão é de que o CPI preliminar alemão para Setembro permaneça inalterado a 0,8% per annum de Agosto. Como é normal, o drama irá começar várias horas antes, quando o CPI para a Saxónia for revelado antes do CPI principal do país. A confiança do consumidor final da Europa para Setembro será também divulgado.

Do Reino Unido, teremos as aprovações de empréstimos para Agosto.

Da Suécia, espera-se que as vendas a retalho para Agosto recuperem numa base de mês-para-mês. No entanto, dado os recentes dados abaixo das expectativas, a possibilidade de um resultado mais baixo é elevada, o que poderá enfraquecer, de certa forma, a SEK.

Nos EUA, temos os rendimentos individuais e despesas pessoais para Agosto, que se espera terem acelerado um pouco. É previsto que a taxa per annum do país para o deflactor de PCE e PCE central tenham abrandado, em oposição à 3a estimativa inalterada do PCE central do 2.º trimestre nos números do PIB revelados na sexta-feira. Espera-se que as vendas pendentes de habitação para Agosto caiam, uma reviravolta de Julho e em oposição à taxa per annum, que está projectada em como irá recuperar. Os dados mistos estão em linha com os números variados, recentes, de habitação e não parecem elucidar de forma alguma a última actividade da habitação. O índice de produção do Fed de Dallas é também divulgado.

O Presidente Charles Evans do Fed de Chicago fala.

Resto da semana: pontos altos. O ponto alto será a reunião de política do Banco Central Europeu na Quinta-Feira. O Banco, na sua reunião de Setembro, cortou três das suas taxas de juro principais e apresentou programas de compra de obrigações para estimular o crescimento e prevenir o risco de deflação. Os detalhes destes programas serão anunciados depois da reunião do Conselho. Alguns investidores poderão estar à espera de medidas adicionais devido aos dados fracos da última reunião do BCE, mais a fraca procura da primeira ronda de operações de refinanciamento de longo prazo direccionadas. Porém, duvido que o BCE tome quaisquer medidas adicionais e o EUR poderá subir temporariamente depois da reunião, se não houver quaisquer medidas adicionais a serem anunciadas. Na sexta-feira, o principal evento será o pagamento não-agrícola (NFP) dos EUA para Setembro. O consenso do mercado é de um aumento de 210 mil, acima dos inesperadamente baixos 142 mil em Agosto. Prevê-se que a taxa de desemprego de mantenha inalterada a 6,1%, enquanto se espera que a média de remunerações horárias acelere ligeiramente numa base per annum. Embora o NFP seja um dos indicadores mais observados de perto, tem tido um impacto de longo prazo surpreendentemente baixo no percurso do dólar. Quer exceda ou fique aquém das expectativas, não parece que seja relevante um ou dois dias depois. Por fim, o Banco do Japão divulga, na Quarta-Feira, o seu inquérito de confiança empresarial Tankan para o 3.º trimestre. É esperado que todos os índices principais desçam, mantendo as quedas em todos os domínios observadas no 2.º trimestre. O agravamento constante no sentimento a seguir à subida na taxa de consumo poderá colocar pressão no Banco do Japão para que flexibilize novamente a política.