Visão Global

07/10/2014 08:23

 

O Mercado movimenta-se de formas misteriosas Após os pagamentos não-agrícolas melhores do que o esperado na Sexta-Feira, seria esperado que o dólar subisse. Seria esperado que os investidores comprassem dólares contra tudo. Seria igualmente esperado que a maior queda nas encomendas às fábricas alemãs desde 2008 pressionasse o euro para baixo. Se pensasse sim, estaria teoricamente correcto mas ligeiramente mais pobre. Na verdade, o USD caiu contra os seus homólogos do G10 e contra quase todas as divisas de mercados emergentes que acompanhamos sem que eu possa encontrar qualquer motivo evidente. Parece encaixar-se no padrão de movimento nos dias NFP que revertem na Segunda-Feira seguinte. Talvez tenha sido a boa resposta do Brasil às eleições, ou abrandamento das tensões em Hong-Kong, que devolveu a oferta às divisas de mercados emergentes (e assim alguma venda de USD). Ou talvez tenha sido a reversão no aumento de Sexta-Feira nos mercados de rendimentos fixos; a taxa implicada nos futuros dos Fed funds estiveram em alta 3.5 bps no longo prazo na Sexta-Feira e em baixa 4 bps na segunda-feira, desanuviando totalmente o impacto do NFP. A mesma coisa também no mercado de obrigações (apesar de ter tido pouco impacto no NFP). Só consigo pensar que após 13 semanas consecutivas de compra de dólares, as pessoas consideraram os dados positivos de NFP como um sinal para ter lucros. A divisa dos EUA poderá fazer uma pausa temporária a partir daqui, mas não esperaria que a tendência mudasse.

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O Banco Central da Austrália (RBA) manteve as taxas de juro inalteradas, conforme era largamente esperado, e suavizou o tom sobre o AUD depois da sua reunião de Terça-Feira. No mês passado, declarou que a taxa de câmbio "permanecia acima da maioria das estimativas do seu valor fundamental". Este mês caiu abaixo dessa linha e voltou a dizer que a taxa "se mantinha acima dos seus padrões históricos", como já tinha declarado por várias vezes anteriormente. De facto, a OCDE prevê que o AUD seja a 3a divisa mais sobrevalorizada no G10 (depois do CHF e NOK), indexando-a como sobrevalorizada em 24%, abaixo da sobrevalorização de 29% aquando da reunião de Setembro. As outras medidas com base no CPI e PPI estimam-na com uma sobrevalorização de cerca de 20% (apesar de o índice Big Mac a classificar com uma subvalorização de 15%, o que quer dizer que os hambúrgueres são uma bagatela por aqui). Em todo o caso, o RBA parece menos preocupado sobre o nível da divisa do que antes. Os membros do RBA identificaram anteriormente a área de 0.86 como algo com o qual poderiam viver. Desta forma, esperaria agora menos pressão destes na taxa de câmbio. Em oposição, o Banco Central da Nova Zelândia está ainda a reclamar amarguradamente contra a sua taxa de câmbio. Assim, esperaria que o AUD/NZD subisse a partir daqui.

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O Banco do Japão manteve a sua política inalterada, conforme era universalmente esperado. Chamado para declarações no Diet (Parlamento Japonês) a meio da reunião, o Gov. do BoJ Kuroda disse que o BoJ irá implementar estímulos caso os riscos negativos se materializem. Nós sabemos que ele já disse isso com alguma frequência. De acordo com a Bloomberg, a maioria dos membros do Conselho de Política do BoJ está a favor de deixar cair o prazo limite de dois anos para ir ao encontro da meta de 2% de inflação. É difícil dizer qual seria o impacto que isto teria no iene. Por um lado, iria significar que manteriam a política branda por um período indefinido até alcançarem a meta. Isto seria negativo para o JPY pois iria confirmar o JPY como a divisa de eleição de financiamento. Por outro lado, iria eliminar a necessidade de o BoJ aumentar o estímulo à medida que a data limite se aproximava, o que poderia ser positivo para o JPY. Actualmente, o mercado está a presumir que irão aumentar o estímulo em Janeiro, de forma a ir ao encontro da data limite de 2% de inflação. Pessoalmente, acho que o mercado tem em mente vender iene e o que quer que aconteça será negativamente interpretado para a moeda.

Os indicadores de hoje: Durante o dia na Europa, temos os números da produção industrial de Agosto da Alemanha, Noruega e Reino Unido. Os resultados alemães caíram mais do que o esperado, foram mais baixos do que o esperado, comprovando o abrandamento no país que deverá ser supostamente o motor de crescimento na Europa. Não existem previsões da Noruega. No Reino Unido, espera-se que os resultados permaneçam inalterados em comparação a Julho.

Do Canadá, é esperado que as licenças de construção caiam, uma reviravolta em relação a Julho.

Nos EUA, o único indicador que temos é o relatório do inquérito de abertura de postos de trabalho e rotatividade de mão-de-obra (JOLTS) para Agosto e a previsão é que o número de abertura de postos de trabalho aumente ligeiramente. Embora este indicador não afecte de forma substancial o mercado, acrescenta ao lado positivo do relatório de emprego divulgado na Sexta-Feira.

Temos dois oradores do Fed na agenda de Terça-Feira, a Presidente do Fed de Minneapolis Narayana Kocherlakota, uma grande "dove", e o Presidente do Fed de Nova Iorque William Dudley, um pequeno "dove".