Visão Global

06/10/2014 10:28

Os pagamentos não-agrícolas levam ao aumento em flecha do USD O índice do dólar DXY, o indicador do valor do dólar contra seis divisas principais, subiu para um máximo de quatro anos depois dos fortes dados do relatório de emprego. Os pagamentos não-agrícolas subiram para 248 mil, um nível superior ao esperado, em Setembro, acima de 180 mil revistos em Agosto e de voltar novamente acima dos resultados de 200 mil. A média de Julho, Agosto e Setembro esteve à volta dos 224 mil, não distante do ritmo de 228 mil no primeiro semestre do ano. Por ano até à data, a média é de 227 mil por mês, a melhor desde 1999. A taxa de desemprego caiu para o seu nível mais baixo desde Junho de 2008, o que sugere que a recuperação económica dos EUA está forte. O único ponto fraco foi o pequeno crescimento na média de ganhos por hora e a descida moderada na taxa de participação.

O relatório de emprego robusto geral corrobora as evidências de que a retoma económica dos EUA está a ganhar momentum e deve sustentar que o Fed aumente as taxas de juro no próximo ano. Porém, não muda as regras do jogo. A previsão implicada do mercado para a taxa Fed funds em 2017 aumentou apenas 3,5 bps na reacção aos dados. As taxas de juro implicadas dos contratos de futuros de Fed funds de 2017 estão ainda, em média 11 bps, abaixo de onde estavam no recente pico de 19 de Setembro. Isto dever-se ao facto de os "doves" no FOMC conseguirem ainda encontrar evidências nos dados que sustentem as suas preocupações sobre a "sub-utilização significativa" dos recursos A taxa de desemprego está ainda bem acima da estimativa de longo prazo do FOMC de 5,2% para 5,5%, enquanto os salários estão a crescer bem abaixo da taxa neutra antecipada de 3,5% (com base no crescimento de produtividade de 1,5% e inflação de 2%). O crescimento lento nos salários sugere também pouca pressão inflacionária.

No entanto, o índice de DXY subiu 2,3% ao longo desse período, sugerindo a influência de mais do que as expectativas do Fed neste campo. Um aspecto é provavelmente a divergência alargada entre o outlook da política monetária nos EUA e a de outros países. Porém, o GBP/USD bateu um mínimo para o ano na Sexta-Feira (bem como o AUD/USD), demonstrando que o USD está a ganhar mesmo contra a divisa de outro país que se espera aumentar as taxas num futuro não muito longínquo. Parece que há apenas uma procura forte pelo dólar.

Podemos ter uma indicação de onde essa procura está a vir olhando para o relatório semanal do Commitment of Traders (COT). As posições líquidas curtas não-comerciais EUR mantiveram-se constantes conforme o têm estado desde início de Setembro. Os investidores avançaram com a GBP antes do referendo na Escócia e cortaram posteriormente estas posições. As posições curtas no JPY expandiram de forma notável, enquanto as posições curtas noutras divisas, incluindo o CAD, tiveram uma expansão modesta. As posições curtas no CHF foram fechadas. O aumento relativamente modesto nas posições curtas especulativas nas divisas que não o dólar está em discordância com o aumento significativo no dólar. Isto sugere que os investidores de divisas e de cobertura corporativa têm estado a liderar a movimentação ascendente do dólar, o que poderá indicar que tem, provavelmente, muito mais espaço para avançar. Estes participantes no mercado têm uma necessidade contínua de cobertura, além de parecer que a comunidade especulativa tem ainda de entrar no comboio. O ciclo em alta do dólar está, na minha opinião, só a começar.

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A platina e paládio, que caíram a pique na Quinta-Feira, continuaram a cair na Sexta-Feira. Isto agrava a pressão sobre o ouro, oriunda do dólar mais forte e das intenções de subida das taxas de juro.

Indicadores de hoje: Durante o dia na Europa, o único indicador que merece destaque é as encomendas às fábricas alemãs para Agosto. Foram mais baixas do que o esperado, com -5,7% em relação ao mês anterior, para juntar à remessa de dados fracos que vêm da Alemanha. Temos um orador para a agenda de segunda-feira, o Vice-Governador Per Jansson do Riksbank.

Resto da semana: reuniões do banco central Para a restante semana, haverá três reuniões de política de bancos centrais do G10: dois na Terça-Feira e um na Quinta-Feira. É unanimemente esperado que o Banco da Reserva da Austrália mantenha as taxas inalteradas na Terça-Feira. Será interessante ver ser o Gov. Stevens faz quaisquer novas tentativas para desvalorizar a moeda. É também esperado que o Banco do Japão mantenha a política inalterada e que mantenha as suas perspectivas sobre a economia. O recente abrandamento na inflação no Japão poderá desencadear, eventualmente, mais acção por parte do BoJ e a declaração da reunião de política deverá dar-nos mais perspectivas sobre as suas acções próximas. Na Quarta-Feira, o principal evento será a divulgação das actas da reunião de 16-17 de Setembro do FOMC. Nessa reunião, o FOMC mantém a sua declaração de "período considerável", mas o principal ponto foi o aumento nas previsões do Fed funds. Na Quinta-Feira, o destaque incidirá na reunião de política do Banco de Inglaterra. É improvável que o banco mude a política, por isso, o impacto no mercado deve ser mínimo, como é normal. Porém, as minutas da reunião devem ter uma leitura interessante quando forem divulgadas a 22 de Outubro, especialmente depois da deterioração continuada da economia do Reino Unido.

Outros indicadores: Na Terça-Feira, temos a produção industrial da Alemanha e Reino Unido para Agosto. Na Quarta-Feira, do Japão, temos o balanço actual para Agosto e da China teremos o PMI do sector dos serviços HSBC. Na Quinta-Feira é esperado que os pedidos de maquinaria para Agosto desacelerem e, da Austrália, temos a taxa de desemprego para Setembro. Durante o dia na Europa, é esperado que o excedente comercial projectado desça ligeiramente. Por fim, na Sexta-Feira, o Banco do Japão divulga as minutas da sua reunião de política de 3-4 de Setembro e, do Canadá, temos a taxa de desemprego para Setembro.