Visão Global

03/10/2014 08:16

Draghi não adianta mais O Presidente Draghi do BCE disse que iria definir os detalhes do programa de compra de instrumentos de dívida titularizados (ABS) do BCE na reunião de ontem, e assim o fez. No entanto, não adiantou mais do que isso. Não especificou quanto pretendia comprar, não disse como irá fazer com que o balanço do Banco volte aos níveis de 2012 e, mais importante, não conseguiu repetir a sugestão da passada semana, em como estaria disposto a aprovar restritividade quantitativa (QE) completa e comprar obrigações soberanas caso necessário. Não houve mais comentários sobre o BCE estar disposto a "alterar a dimensão ou composição das nossas intervenções não convencionais" se necessário. Pode ter sido possível que Draghi não tenha conseguido ultrapassar as objecções alemãs à ideia. Em vez disso, o BCE irá concentrar-se nas medidas já anunciadas, como a da compra de ABS de ontem ou as já anteriormente anunciadas operações de refinanciamento de longo prazo direccionadas. No entanto, pode ser difícil que atinja o seu objectivo de recuperar o balanço do BCE para níveis de 2012 através destas medidas. E isso é "bullish" ou "bearish" para o euro? Por um lado, é "bullish" na medida em que o balanço do BCE poderá continuar a atrasar outros bancos centrais. Por outro lado, é “bearish” na medida em que significa que a economia da zona Euro não irá, provavelmente, recuperar em breve e as taxas terão de permanecer indefinidamente nos níveis actuais - o que significa que o EUR pode transformar-se na divisa de financiamento de opção, juntamente com o JPY. Considero a última como a mais provável e continua a ser "bearish" para o EUR.

Os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA caíram inesperadamente ontem, para um nível não visto desde 2006, enquanto o número de despedimentos planeados pelas entidades patronais dos EUA caiu para um mínimo de 14 anos em Setembro, de acordo com Challenger, Gray e Christmas. Entretanto, o índice Gallup de criação de emprego bateu um máximo de seis anos. Estes números criam condições para números relativamente robustos de pagamentos não-agrícolas nos EUA para Setembro que serão divulgados hoje. O consenso de mercado é de um aumento de 215 mil, acima do mínimo inesperado de 142 mil em Agosto. É previsto que a taxa de desemprego permaneça inalterada nos 6,1%, enquanto se espera que as remunerações horárias médias acelerem ligeiramente numa base per annum. Pode esperar-se que os dados que acompanham estas linhas suportem o dólar, uma vez que iriam confirmar a melhoria constante no mercado de trabalho, uma das principais preocupações do Fed. Isto poderia ser uma surpresa para o mercado, uma vez que as expectativas da taxa de Fed funds caiu, na verdade, quase 20 bps ao longo das últimas duas semanas (apesar de estarem ainda um pouco mais altas do que estavam na data dos últimos números de pagamentos).

Por outro lado, antecipa-se que o défice comercial para Agosto tenha aumentado um pouco. O PMI final Markit do sector dos serviços e o índice ISM não-industrial para Setembro serão também divulgados.

Indicadores de hoje: Hoje temos os PMI finais do sector dos serviços para Setembro dos países dos quais recebemos os dados da indústria na Quarta-Feira. Dada a recente desilusão dos PMI industriais finais, a possibilidade de resultados mais baixos (ou de uma revisão em baixa, caso estes países tenham já anunciado os seus dados preliminares) é elevada. A China, por exemplo, anunciou um índice mais baixo, além dos dados que sugerem que a economia do país está a perder ritmo.

As vendas a retalho da zona Euro para Agosto serão também divulgadas e a previsão é que os resultados mensais recuperem de alguma forma.

 

Na Noruega é esperado que a taxa de desemprego oficial para Setembro tenha caído de 2,9% para 2,7%. Além do anúncio do Norges Bank em como iria começar a comprar o equivalente a 250 milhões de NOK por dia a partir deste mês, números fortes de emprego